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Geração Z reflete sobre papéis de gênero e desafios para superar machismo

Geração Z reflete sobre papéis de gênero e desafios para superar machismo A violência contra a mulher é um problema histórico que atravessa gerações. M...

Geração Z reflete sobre papéis de gênero e desafios para superar machismo
Geração Z reflete sobre papéis de gênero e desafios para superar machismo (Foto: Reprodução)

Geração Z reflete sobre papéis de gênero e desafios para superar machismo A violência contra a mulher é um problema histórico que atravessa gerações. Mesmo com avanços nas últimas décadas, o machismo ainda impacta diariamente a vida das mulheres. Mas como os mais jovens enxergam essas questões? Na série especial "Marcas", da TV Globo, jovens da chamada geração Z — nascidos entre 1995 e 2010 — refletiram sobre os papéis de homens e mulheres na sociedade (veja vídeo acima). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE O encontro aconteceu no Porto Digital, no centro do Recife, área que reúne muitos estudantes e profissionais dessa geração. Durante a conversa, os participantes foram convidados a definir o que entendem por masculino e feminino. As respostas variaram. Para a analista de dados Milena Melo, o masculino pode ser associado ao controle, enquanto o feminino representa escuta. Já o estudante Américo Pereira disse que vê o masculino como proteção e o feminino como amor. Para o engenheiro de dados Juan Oliveira, o masculino está ligado à ideia de provedor, enquanto o feminino remete ao cuidado. A analista de controladoria Ivanise Lima resumiu de outra forma. “Ser homem, masculino para mim, é base. E feminino é resiliência”, disse. As respostas de alguns participantes foram influenciadas por experiências familiares. A analista de marketing Geovana Beltrão, por exemplo, contou que cresceu sem a presença do pai e teve a mãe como principal referência. A realidade é a mesma de milhões de brasileiros e brasileiras. “Meu pai foi ausente durante toda a criação minha e do meu irmão. Para mim, o feminino é garra, porque eu vi ela trabalhando e se virando em dois para manter a gente. Então, minha maior representatividade de masculino é justamente o feminino, que é a minha mãe”, afirmou. LEIA TAMBÉM: Medidas protetivas: agressores são monitorados em tempo real Comissão da Mulher na Alepe aprovou 82 propostas em 2025 Violência contra mulheres tem raízes históricas; entenda Construção social Jovens refletem sobre papéis de gênero no Recife Reprodução/TV Globo A socióloga Carmen Silva afirma que as diferenças entre homens e mulheres não são naturais, mas construídas socialmente. Segundo ela, os conceitos de masculino e feminino estão relacionados à forma como meninos e meninas são educados e ao papel que ocupam na sociedade. De acordo com a socióloga, esse processo historicamente colocou as mulheres em uma posição de menor valor e menor poder social. "O conceito masculino e feminino é uma construção social que tem a ver com a forma como nós mulheres e os homens são educados, e a forma como isso se insere na sociedade, na economia, na cultura, na política. E isso traz resultados negativos para o feminino. As mulheres têm menor valor e menos poder na sociedade que a gente vive", explicou. A estudante Morgana Barbosa conta que viveu, desde sempre, uma dualidade entre o feminino e o masculino a ela imposto. "Eu não podia agir como uma, não podia fazer nada que me lembrasse, porque as pessoas teoricamente queriam me proteger de ofensas, de coisas que poderiam ser tiradas de mim. Mas, durante a adolescência, embora fosse uma proteção, isso acabou me prendendo e me diminuindo como pessoa", declarou. Entre as mulheres que participaram da conversa, muitas relataram experiências de medo ou desigualdade. A professora de informática Dayanne Souza contou que situações de assédio são comuns desde a adolescência. "Criança ou adolescente, quando você está voltando da escola e passa na frente de uma obra que tem muitos homens, eles ficam olhando. Bate aquele medo de acontecer qualquer coisa, seja estupro, seja agressão, o próprio assédio. Já bate o medo na gente. Acho que, infelizmente, toda mulher já passou por isso", afirmou. A estagiária Emilly Dantas afirmou que já ouviu comentários de que certas atividades seriam destinadas apenas aos homens. "Falavam que eu era mais fraca por ser mulher, que não poderia fazer certas coisas. Eu escutava muito também as pessoas falando que 'certo trabalho é para homem, esse trabalho é para mulher'", disse. Mesmo com mudanças nas últimas décadas, algumas mulheres dizem que ainda precisam provar constantemente sua capacidade. Emilly afirmou que tenta ocupar espaços tradicionalmente dominados por homens. "É uma batalha diária, porque a gente ainda tem muito aquela síndrome do impostor. Eu acredito que a maioria das mulheres. Então, quando a gente tenta se inscrever para uma vaga, a gente tenta aprender tudo para se sentir capaz, para se sentir segura de se indicar. E mesmo quando a gente sabe que tem todas as qualidades pedidas, ainda fica na dúvida", disse a analista de dados Milena Melo. “É uma batalha diária, porque muitas mulheres têm síndrome do impostor. Mesmo quando temos todas as qualidades pedidas para uma vaga, ainda ficamos em dúvida se somos capazes”, afirmou. Para a estagiária Maíra Lourenço, a troca entre mulheres é um dos principais fatores de fortalecimento. "Eu acho que uma coisa que alimenta as mulheres, alimenta toda a potência, toda a força, é esse contato com outras mulheres. Quando a gente fala de se proteger, de se reerguer, de se inserir nos locais, a gente encontra isso só com outras mulheres", disse. Para a socióloga Carmen Silva, a geração atual cresceu em um contexto de maior debate sobre igualdade de gênero. Segundo ela, as conquistas do movimento feminista contribuíram para aumentar a autoconfiança das mulheres mais jovens. "Nós mulheres hoje temos mais autoconfiança, porque nós somos o resultado da luta feminista nas últimas décadas. A nova geração tem muito mais autoconfiança e acredita muito mais em si mesma”, afirmou. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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