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SDS, Polícia Civil e governadora: o que dizem autoridades sobre uso de fotos de Erika Hilton e Duda Salabert em álbum de suspeitas

Fotos de Duda Salabert e Erika Hilton aparecem em álbum de reconhecimento de suspeitas As deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) ti...

SDS, Polícia Civil e governadora: o que dizem autoridades sobre uso de fotos de Erika Hilton e Duda Salabert em álbum de suspeitas
SDS, Polícia Civil e governadora: o que dizem autoridades sobre uso de fotos de Erika Hilton e Duda Salabert em álbum de suspeitas (Foto: Reprodução)

Fotos de Duda Salabert e Erika Hilton aparecem em álbum de reconhecimento de suspeitas As deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) tiveram suas fotos incluídas num álbum fotográfico criado para reconhecimento da suspeita de um crime de roubo de celular registrado em Recife (PE). O caso gerou repercussão nacional. As duas parlamentares denunciaram transfobia e racismo e pediram explicações ao governo de Pernambuco e à governadora Raquel Lyra (PSD), com quem coversaram nesta quarta-feira (25). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Confira, abaixo, o que disseram a governadora, a Polícia Civil, a Secretaria de Defesa Social e a Defensoria Pública sobre o caso: Governadora Polícia Civil Secretaria de Defesa Social Defensoria Pública Governadora Erika Hilton e Duda Salabert foram à internet cobrar posicionamento sobre o caso. Na manhã desta quarta-feira, Raquel Lyra também foi às redes e anunciou uma investigação. "Inadmissível o uso da imagem das deputadas federais Duda Salabert e Érika Hilton pela Polícia Civil de PE. Determinei apuração rigorosa com abertura de processo na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social. Preconceito e violência simbólica não são tolerados em PE", afirmou. Pouco tempo depois, as duas deputadas agradeceram à governadora. "Conversei hoje, ao telefone, com a governadora Raquel Lyra, que me pediu desculpas [...] Ela também se comprometeu com a devida apuração dos fatos e dos responsáveis por essa agressão simbólica e transfóbica cometida contra mim e a deputada Duda Salabert. Agradeço à governadora pela ligação e pelo compromisso assumido", disse Erika Hilton. Duda Salabert também falou sobre a investigação, e disse que erros como esse fragilizam as apurações de crimes. "Muito obrigada, governadora Raquel Lyra, pela atitude. Muito importante essa apuração, pois o erro cometido pela Polícia Civil fragiliza a investigação de crimes e abre espaço para estigmatização das identidades trans. Segurança pública é uma das prioridades em sua gestão e em minha atuação parlamentar. É fundamental que esse caso gere mudanças concretas nos protocolos para evitar injustiças", declarou. Polícia Civil Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou que: apura rigorosamente os fatos e que todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas; mantém diretrizes e protocolos contínuos para orientar a atuação dos servidores, com foco em uma conduta ética e responsável. repudia qualquer prática de preconceito ou discriminação; reforçou o compromisso com a dignidade humana, o cumprimento da lei e o atendimento igualitário à população. Secretaria de Defesa Social O g1 também procurou a Secretaria de Defesa Social e questionou: Quais os critérios para a inclusão de alguém em um álbum de rostos suspeitos? Por que os rostos das deputadas foram incluídos no caso em questão? As imagens das deputadas foram usadas em outras situações? É criado um álbum diferente a cada reconhecimento? É comum a utilização de imagens de pessoas famosas ou autoridades nesses álbuns? A SDS não respondeu às perguntas. Em nota, afirmou apenas que Corregedoria Geral da secretaria estadual iniciou uma investigação preliminar “por meio da qual as informações serão verificadas, assim como serão coletados os subsídios necessários para instauração de processo administrativo”. Defensoria Pública O caso veio à tona a partir de um ofício enviado pela Defensoria Pública de Pernambuco (DPPE) à deputada Duda Salabert. A defensora Gina Ribeiro Gonçalves Muniz, autora do documento, contou ao g1 que a inclusão das fotos pode estar relacionada a fatores discriminatórios, como racismo e transfobia. De acordo com a DPPE, há indícios de que o critério de seleção das imagens tenha sido baseado em características como raça e identidade de gênero, o que pode indicar transfobia e racismo institucional. A defensora pública apontou que o procedimento de reconhecimento facial, realizado em 8 de abril de 2025, foi feito de forma irregular e pode comprometer a validade da investigação. Para ela, a análise do inquérito identificou inconsistências na formação do álbum fotográfico apresentado à vítima durante a fase policial. Diante das irregularidades, a DPPE pediu a nulidade do reconhecimento fotográfico no processo, que tramita na 16ª Vara Criminal da Capital. Segundo Gina Muniz, o pedido foi aceito. Ainda de acordo com Gina Muniz, o uso desse tipo de material, sem critérios claros, é uma prática criticada no âmbito jurídico e pode induzir a erros. O caso Fotos das deputadas Duda Salabert e Erika Hilton em álbum de reconhecimento de suspeitos Reprodução As imagens de Duda e Erika aparecem em um álbum com fotos de seis pessoas apresentado à vítima de um roubo, como possíveis suspeitas. O crime aconteceu em fevereiro de 2025 e, no dia 8 de abril, a Polícia Civil realizou o procedimento de reconhecimento fotográfico. Para a defensora Gina Muniz, além de "afrontar a dignidade" das parlamentares, a apresentação de álbum fotográfico pautado "em características identitárias, e não em traços físicos individualizantes" contamina "irremediavelmente a validade do ato probatório". Nas redes sociais, Erika Hilton afirmou que acionou a governadora para cobrar respostas do porquê de ter sido inserida no álbum. Segundo ela, o uso do reconhecimento fotográfico tem normas claras, definidas pelo Código Penal, e que o caso em questão demonstra incompetência, discriminação e transfobia. "Quantos deputados brancos constam no álbum de reconhecimento fotográfico da Polícia Civil de Pernambuco quando o suspeito é um homem branco? Quantas deputadas mulheres cis constam no álbum de reconhecimento fotográfico quando a suspeita é uma mulher cis? Quantos deputados idosos constam no álbum de reconhecimento fotográfico quando o suspeito é um idoso? Eu chuto, com muita confiança, que a resposta para essas três perguntas é ZERO", disse. Já Duda Salabert classificou o caso como um "absurdo". "Isso é gravíssimo! Isso é racismo e transfobia institucional. Já acionei a Justiça. Não vamos aceitar que identidade de travestis vire critério de suspeição", afirmou, também nas redes sociais. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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