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Saiba que efeitos violência de gênero causa no cérebro de mulheres; VÍDEO

Neurocientista Diana Lemos explica alterações cerebrais em vítimas de violência A liberação do hormônio do estresse e mudanças neurológicas podem regul...

Saiba que efeitos violência de gênero causa no cérebro de mulheres; VÍDEO
Saiba que efeitos violência de gênero causa no cérebro de mulheres; VÍDEO (Foto: Reprodução)

Neurocientista Diana Lemos explica alterações cerebrais em vítimas de violência A liberação do hormônio do estresse e mudanças neurológicas podem regular a forma como as vítimas reagem à violência de gênero, que afeta o cérebro das mulheres. É o que apontou a neurocientista Diana Lemos, em entrevista para a série "Marcas", uma iniciativa da TV Globo na semana do 8 de março, Dia Internacional da Mulher, para incentivar a conscientização e o debate sobre o tema (veja vídeo acima). "A experiência da violência, principalmente quando a gente fala da doméstica, é uma experiência socioafetiva que impacta muito os processos neurais", disse a neurocientista no Bom Dia PE desta segunda-feira (9). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Mulheres que sofreram com abusos físicos ou psicológicos carregam marcas no cérebro que podem ser identificadas. A forma como as vítimas respondem, seja combatendo, fugindo ou se isolando, também depende de como elas foram socializadas. Questões morais, que são impostas pela sociedade e acabam enraizadas nas funções cognitivas das vítimas, acabam por manter essas mulheres dentro do ciclo de violência. A busca por ajuda, quando acontece, precisa também de atenção, para que haja o acolhimento ideal (entenda mais abaixo). Alterações cerebrais Neuroimagens mostram reação cerebral de vítima de violência ao reviver traumas Reprodução/TV Globo "O cérebro tem como base de premissa, da função dele, a sobrevivência. Tanto do ponto de vista corporal, porque ele regula os órgãos [...], mas ele também serve para nos proteger dessas hostilidades do mundo externo, porque nós somos muito frágeis, biologicamente falando", explicou Diana Lemos. Esse órgão, que regula nosso corpo, tem como base da sua funcionalidade a constituição das relações sociais, para garantir uma vida social segura. Assim, o cérebro associa essas relações com a sobrevivência. "Se os vínculos afetivos são o que garante nossa vida social, nossa segurança, então se é naquele ambiente que acontece justamente a maior hostilidade, é muito confuso para o cérebro lidar com isso, então ele resgata circuitos neurais muito intensos para lidar com esse contexto. São áreas cerebrais responsáveis realmente pelo mecanismo de luta ou fuga", declarou. Os mecanismos de defesa organizados pelo cérebro visam manter a vida do indivíduo que está sob ataque. Por isso, muitas mulheres vivem em alerta, com o corpo preparado para lutar ou fugir. Além disso, a escolha pelo isolamento também é uma forma de defesa da vítima. LEIA TAMBÉM: Campanha da TV Globo conscientiza sobre violência contra mulheres Série ‘Marcas’ mostra quem eram vítimas de feminicídio Dificuldade de verbalizar Estudos científicos mostram uma mudança no funcionamento do cérebro das vítimas de violência. Quando comparado ao cérebro de outras pacientes, o de mulheres violentadas apresenta alterações no processamento de algumas áreas. No cérebro de uma mulher que passou por violência, a área Broca, que é responsável pela fala e articulação de palavras, funciona abaixo da média. "Ela tem menos processamento. O que se explica, por muitas vezes, a dificuldade dessa mulher de elaborar, de narrar [...]. O evento [traumático] não consegue ser constituído na forma de palavras, de linguagem, porque, quando elas começam a se lembrar do que estão passando, essa região [do cérebro] diminui o processamento", disse a especialista. Sistema emocional Partes do cérebro são ativadas durante a situação traumática, como o sistema límbico e a amígdala cerebral. Porém, essas zonas também ficam em alerta depois do evento, quando a pessoa relembra o trauma. "Não é só superativada no momento da experiência, mas também nas memórias dessa experiência. Então a marca está guardada porque é uma situação que coloca seu sistema socioafetivo muito em xeque. E o cérebro precisa guardar essa experiência porque ela é importante, relevante, porque a função dele é manter você vivo", contou. As vítimas têm dificuldade de sair dos ciclos de violência por causa de inúmeras variáveis, inclusive os valores morais e sociais que foram aprendidos na vida das mulheres. "A gente aprende muito que o papel da mulher na sociedade é um papel de mais submissão [...] Ela tem muito medo de corromper esse aprendizado e o orbitofrontal [do cérebro] fica lembrando ela disso. Quando ela tenta tomar uma decisão, que vem do sistema emocional, de 'eu preciso me defender, eu preciso sair', esse orbitofrontal, que participa dessa decisão, vem com esse contexto, mais cognitivo. [...] Que são aprendizados que, infelizmente, vieram com uma disfunção da nossa sociedade em relação ao papel da mulher", afirmou. Outra questão é o sistema de recompensa, no centro do sistema límbico: quando uma experiência é repetida, a mulher lembra como foi o desfecho anterior. "A gente sabe que existem justificativas do agressor e que, no outro dia, ela é acolhida por ele, ele pede desculpas, de repente ele faz um café da manhã, passa a ajudar nas tarefas de casa, a estar ali com os filhos. Então ela vê aquele contexto, e isso gera uma liberação de um neurotransmissor chamado dopamina, que é uma química que dá sensação de recompensa, de bem-estar e de prazer", disse. Nesse contexto neural, o cérebro entende que o evento ruim está conectado ao evento bom. Dessa forma, vira um ciclo onde o abusador tenta compensar a violência com experiências positivas para a vítima. Acolhimento das vítimas As mulheres que são submetidas à violência estão sempre em estado de alerta, com liberação de cortisol no corpo – conhecido como o hormônio do estresse. "Esse cortisol fica lá circulando. Não só no contexto da violência, mas, em qualquer contexto do dia a dia, esse sistema está superativado. Então ela reage como se estivesse sempre se defendendo", pontuou. Quando a vítima consegue, finalmente, romper o ciclo de violência e busca ajuda, o acolhimento deve ser feito de forma cuidadosa para não acionar o trauma e voltar a liberar o cortisol. "Não pede para ela narrar, porque ela não vai conseguir narrar, isso só vai estressar mais. A gente precisa acolher, validar, para mostrar para esse sistema emocional que existe acolhimento, que existem experiências afetivas e sociais que causam efeitos diferentes daquela que ela está acostumada a viver", ensinou a neurocientista. Atendimento para mulheres vítimas de violência No Recife, mulheres vítimas de violência podem receber acolhimento, atendimento multidisciplinar e orientações de profissionais especializados nos seguintes locais: Centro de Referência Clarice Lispector: Rua Doutor Silva Ferreira, 122, Santo Amaro (atendimento 24 horas); Serviço Especializado e Regionalizado (SER) Clarice Lispector: Avenida Recife, 700, Areias (atendimento de segunda a domingo, das 7h às 19h); Salas da Mulher em cinco unidades do Compaz: Eduardo Campos (Alto Santa Terezinha), Ariano Suassuna (Cordeiro), Dom Hélder Câmara (Coque) e Paulo Freire (Ibura). Além disso, existe um Plantão WhatsApp, com funcionamento 24 horas, no número (81) 99488-6138. Saiba como denunciar Em Pernambuco, as denúncias de violência contra mulher podem ser feitas através do telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados; A Polícia Militar pode ser contatada pelo 190, quando o crime estiver acontecendo; Também é possível, no Grande Recife, fazer denúncias pelo Disque-Denúncia da Polícia Civil, no número (81) 3421-9595; O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) também pode ser acionado de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h, através de uma ligação gratuita para o número 0800.281.9455; Outra opção é a Ouvidoria da Mulher de Pernambuco, que funciona pelo telefone 0800.281.8187; Os endereços e telefones das Delegacias da Mulher podem ser consultados no site do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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