Polícia indicia quatro pessoas por incêndio criminoso em casas da família do presidente nacional do União Brasil; saiba quem são
Inquérito conclui que incêndio em casas da família de Antonio Rueda foi criminoso e planejado Montagem/g1 O incêndio que atingiu duas casas da família do p...
Inquérito conclui que incêndio em casas da família de Antonio Rueda foi criminoso e planejado Montagem/g1 O incêndio que atingiu duas casas da família do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, em março de 2024, numa praia de Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco, foi provocado de forma criminosa e planejada, de acordo com o relatório final do inquérito da Polícia Civil. Quatro pessoas foram indiciadas (confira mais abaixo). Segundo o documento, ao qual o g1 teve acesso, o fogo não teve origem acidental e foi iniciado de maneira coordenada em duas casas, com focos simultâneos. No relatório, a polícia também apresentou uma linha do tempo do dia do incêndio (veja no final desta reportagem). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp O crime aconteceu no dia 11 de março de 2024, entre 18h e 19h, em duas casas vizinhas localizadas no loteamento Marinas do Rio Aquirá, na praia de Toquinho, em Serrambi (veja vídeo abaixo). Além da residência de Antonio Rueda, também foi incendiada a casa de Maria Emília de Rueda, irmã do político e tesoureira do União Brasil. Incêndio atinge casa de praia em Serrambi, no Litoral Sul de Pernambuco Conforme o relatório final do inquérito, uma das casas foi acessada sem arrombamento, indicando o uso de chave por alguém com acesso às residências. A investigação contou com quebras de sigilo telefônico e bancário, análise de dados de antenas de telefonia celular, perícia em aparelhos eletrônicos, interceptações telefônicas e cumprimento de mandados de busca e apreensão. O g1 entrou em contato com o Ministério Público de Pernambuco, para saber quando o inquérito foi recebido e se há algum prazo para que o órgão se manifeste, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem Quatro indiciados O delegado responsável pela investigação do caso, Ney Luiz Rodrigues, indiciou quatro pessoas por participação no incêndio: José Pereira Gomes, Maria das Dores dos Santos Maciel, Aluísio Ângelo da Silva e Maria Valéria dos Santos. O g1 está em busca de contatos das defesas dos quatro indiciados. No entanto, a investigação não identificou quem idealizou e ordenou o crime. No relatório final do inquérito, o delegado afirmou que, embora as provas permitam apontar a participação dos quatro indiciados na execução do incêndio, “não foram colhidos elementos suficientes para identificar eventual mentor intelectual ou mandante do crime”. Em relação aos executores identificados, a polícia apontou que os quatro indiciados tinham relação entre si e vínculos de trabalho ou acesso às casas atingidas. São eles: José Pereira Gomes Considerado pela polícia como peça central na coordenação do crime e um dos executores, José Pereira Gomes trabalhava como vigilante e estava de serviço no dia do incêndio. Ele é irmão de Luciano Pereira Gomes, que não foi indiciado, e marido de Maria das Dores dos Santos Maciel, uma das indiciadas. Segundo a investigação, o telefone funcional da Usina Petribu, onde José trabalha, estava com ele e registrou conexões na área da Praia de Toquinho em momentos considerados chave para o crime. O aparelho também fez várias ligações para a esposa antes, durante e depois do início do incêndio. A polícia identificou divergências entre o histórico de chamadas encontrado no aparelho e os registros das antenas telefônicas, o que, segundo o relatório, pode indicar tentativa de ocultar ligações. No mesmo dia do incêndio, José Pereira também fez um PIX para um posto de combustíveis em Serrambi. Ele afirmou que a compra seria de um produto para limpar peças do carro, mas a polícia considerou o pagamento suspeito, podendo ser referente à compra de combustível. Maria das Dores dos Santos Maciel A diarista Maria das Dores dos Santos Maciel trabalha em uma casa localizada a menos de 50 metros das residências incendiadas. Ela é esposa de José Pereira Gomes e cunhada de Maria Valéria dos Santos, empregada doméstica na casa de Maria Emília. Segundo o inquérito, ela recebeu várias ligações do telefone funcional que estava com o marido, José Pereira, durante o período considerado crítico da ocorrência. A polícia também apontou contradições nos depoimentos dela. Inicialmente, Maria das Dores não mencionou que trabalhava próximo às casas e afirmou que só soube do incêndio dois dias depois pela televisão. Depois, admitiu que trabalha ao lado dos imóveis e que falou com o marido no dia do incêndio. Para os investigadores, ela deu apoio operacional ao crime, com troca de informações em tempo real e observação da movimentação no local. Aluísio Ângelo da Silva O vigilante Aluísio Ângelo da Silva é colega de José Pereira Gomes e afirmou inicialmente à polícia que estava de folga em Paudalho, na Zona da Mata, no dia do incêndio. No entanto, registros de celular indicaram que o aparelho dele estava conectado à antena que atende a região das casas por volta das 18h10. Depois de ser confrontado, Aluísio alterou a versão e disse que trabalhou naquele dia. A polícia também identificou que, quando atuava na usina, ele registrou cerca de 20 boletins de ocorrência relacionados a incêndios em canaviais, o que indicaria familiaridade com esse tipo de situação. Segundo o inquérito, Aluísio atuou como coautor e executor do incêndio, em sincronia com os demais envolvidos. Maria Valéria dos Santos A empregada doméstica Maria Valéria dos Santos trabalhava na casa de Maria Emília Rueda. Ela é esposa de Luciano Pereira Gomes e cunhada de José Pereira Gomes e de Maria das Dores. De acordo com a perícia, a casa de Maria Emília, onde Maria Valéria trabalhava e guardava as chaves, não tinha sinais de arrombamento. Já a residência de Antonio Rueda teve portas ou acessos forçados, indicando que a entrada na casa de Maria Emília pode ter sido facilitada por alguém com acesso às chaves. Segundo o relatório, Maria Valéria atuou como facilitadora do acesso ao imóvel, o que permitiu que o incêndio fosse iniciado nas duas casas quase ao mesmo tempo. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Linha do tempo do dia do incêndio A investigação reconstruiu parte da movimentação dos suspeitos com base em registros telefônicos e imagens. 17h03 – 17h04: O celular de Luciano Pereira Gomes, irmão de José Pereira Gomes, registra ligações conectadas à antena que atende à região da Praia de Toquinho. 18h08 – 18h12: O celular pessoal do vigilante Aluísio Ângelo da Silva conecta na mesma antena que cobre as casas incendiadas. Ele havia afirmado inicialmente que estava de folga em Paudalho, na Zona da Mata, mas a análise da escala de trabalho e dos registros telefônicos indicou que ele estava em serviço e na área. 18h10 – 19h03: O telefone funcional da Usina Petribu, que segundo a escala estava sob responsabilidade de José Pereira Gomes, apresenta registros de conexão entre o setor da Praia de Toquinho e o condomínio Petribu. Nesse período, várias ligações são feitas para Maria das Dores dos Santos Maciel. 18h41: Imagens analisadas pela polícia indicam o início das chamas nas casas. Um homem é visto fugindo pelos fundos das residências. Por volta das 21h: O fogo já havia sido controlado e começaram os primeiros registros da ocorrência e coleta de depoimentos. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias