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Oposição a João Campos protocola CPI para investigar alteração em resultado de concurso público

Prefeito do Recife, João Campos (PSB), em imagem de arquivo PSB/Divulgação Um grupo de vereadores protocolou, nesta segunda-feira (2), a abertura de uma Comi...

Oposição a João Campos protocola CPI para investigar alteração em resultado de concurso público
Oposição a João Campos protocola CPI para investigar alteração em resultado de concurso público (Foto: Reprodução)

Prefeito do Recife, João Campos (PSB), em imagem de arquivo PSB/Divulgação Um grupo de vereadores protocolou, nesta segunda-feira (2), a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o prefeito do Recife, João Campos (PSB), por suposto tráfico de influência e nepotismo após a alteração do resultado de um concurso público para procurador do município. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Segundo a denúncia, um advogado aprovado nas vagas para pessoas com deficiência (PCD) deixou de ser nomeado e, no lugar dele, foi convocada outra pessoa, filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas (MPCO) e de um juiz que arquivou um processo envolvendo a prefeitura por suspeita de corrupção (saiba mais abaixo). Procurada, a prefeitura do Recife informou que "todas as informações já foram amplamente apresentadas, cumprindo com a lei" e que o caso se trata de "uma disputa administrativa entre dois candidatos PCDs". A gestão municipal disse, ainda, que "causa estranheza que se busque transformar uma questão já devidamente esclarecida em um novo palco de debate político". Veja os vídeos que estão em alta no g1 No início deste ano, o caso motivou um pedido de impeachment, que foi rejeitado em votação no plenário da Câmara Municipal. O requerimento de abertura da CPI foi encaminhado com a assinatura de 13 vereadores — número mínimo necessário para a instalação da comissão. A Câmara Municipal do Recife informou que o documento foi protocolado e "tramitará conforme o Regimento Interno da Casa". O g1 apurou que, após ser encaminhado à Mesa Diretora, o pedido será avaliado pela Procuradoria da Câmara. Depois disso, a Presidência da Casa vai instalar a CPI, que será formada por sete membros, de acordo com a representatividade dos partidos. Segundo o requerimento, a CPI tem como objetivo investigar a legalidade do processo administrativo que resultou na mudança do resultado do concurso e apurar a responsabilidade do prefeito, do procurador-geral do município e de outros agentes públicos envolvidos. Além disso, de acordo com o documento, a comissão vai apurar "indícios de tráfico de influência e nepotismo transverso, diante dos vínculos familiares do candidato beneficiado com integrantes do Ministério Público de Contas e do Poder Judiciário" e também "a suposta interferência política direta na cúpula do Poder Executivo", além de um possível desvio de finalidade. O requerimento é assinado pelos seguintes vereadores: Thiago Medina (PL) Gilson Machado Filho (PL) Felipe Alecrim (Novo) Alef Collins (PP) Eduardo Moura (Novo) Alcides Teixeira Neto (Avante) Fred Ferreira (PL) Paulo Muniz (PL) Agora é Rubem (PSB) Flávia de Nadegi (PV) Osmar Ricardo (PT) Jô Cavalcanti (PSOL) Davi Muniz (PSD) Entenda o caso Em janeiro deste ano, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), se tornou alvo de um pedido de impeachment protocolado pelo vereador Eduardo Moura (Novo), após a modificação do resultado de um concurso público para procurador municipal, ocorrido em 2022. No certame, o advogado Marko Venício dos Santos Batista, aprovado nas vagas para pessoas com deficiência (PCD), deixou de ser nomeado e, no lugar dele, foi aprovado Lucas Vieira Silva, que fez a seleção sem optar pelas vagas afirmativas, mas pediu reinscrição no concurso após receber, dois anos depois da homologação, em junho de 2023, diagnóstico de autismo. Lucas Vieira Silva havia se inscrito nas vagas de ampla concorrência, mas ficou em 63º lugar. Ele é filho do juiz Rildo Vieira da Silva, da Vara dos Crimes Contra a Administração Pública e a Ordem Tributária do Recife, e de Maria Nilda Silva, procuradora do MPCO, órgão que atua perante o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Conforme a denúncia, o pai do candidato nomeado, que atuava na 1ª Vara Cível de Carpina, foi promovido em outubro de 2025 para a Vara Regional de Crimes Contra a Administração Pública, Ordem Tributária, Lavagem de Dinheiro e de Delitos de Organizações Criminosas da Capital. A promoção ocorreu no mesmo mês em que a vaga foi aberta na Procuradoria após a aposentadoria de um dos procuradores. Conforme o pedido de impeachment, esse mesmo magistrado foi responsável por arquivar um processo referente à Operação Barriga de Aluguel, do Ministério Público, que investiga uma quadrilha suspeita de desviar recursos públicos destinados à recuperação e manutenção predial. Os contratos somam mais de R$ 100 milhões. Após a repercussão do caso, o prefeito do Recife, João Campos, voltou atrás e, no dia 6 de janeiro deste ano, o candidato inicialmente aprovado tomou posse do cargo de procurador judicial do município. No dia 3 de fevereiro, o processo de impeachment foi votado na Câmara Municipal do Recife. O requerimento precisava de votos favoráveis da maioria simples dos 37 vereadores que compõem a Casa de José Mariano. Entretanto, não obteve a quantidade necessária e, com isso, foi arquivado. Foram nove votos a favor, 25 contrários e uma abstenção, da vereadora do PSOL Jô Cavalcanti. Não votaram Agora é Rubem (PSB) e Flávia de Nadegi (PV). VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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