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Ney Matogrosso tira as máscaras e as fantasias, mas não a trava emocional, em filme sobre os bastidores do artista

Ney Matogrosso em imagem do documentário 'Ney por trás das máscaras', atração da mostra 'Premiére Brasil' do Festival do Rio 2026 Divulgação ♫ CRÍTIC...

Ney Matogrosso tira as máscaras e as fantasias, mas não a trava emocional, em filme sobre os bastidores do artista
Ney Matogrosso tira as máscaras e as fantasias, mas não a trava emocional, em filme sobre os bastidores do artista (Foto: Reprodução)

Ney Matogrosso em imagem do documentário 'Ney por trás das máscaras', atração da mostra 'Premiére Brasil' do Festival do Rio 2026 Divulgação ♫ CRÍTICA DE DOCUMENTÁRIO MUSICAL Título: “Ney por trás das máscaras” Direção: Esmir Filho com codireção de Thais Guisasola Roteiro: Esmir Filho , João Maia e Thais Guisasola Cotação: ★ ★ ★ ♬ “Eu sou travado nessa questão emocional. Eu me seguro firme...”, admite Ney Matogrosso quase no fim do documentário “Ney por trás das máscaras”, filme exibido pela primeira vez na noite de ontem, sábado, 3 de outubro, como hors concours da mostra Première Brasil do Festival do Rio 2026. A fala do artista dá o tom do filme em que o cineasta Esmir Filho – diretor do blockbuster “Homem com H” (2025), cinebiografia ficcional sobre a vida de Ney Matogrosso – desvenda os bastidores do cantor durante os preparativos da escola de samba Imperatriz Leopoldinense para o desfile em homenagem a Ney, apresentado pela agremiação no Carnaval de 2026 com o enredo “Camaleônico”. Ney tira as máscaras, as fantasias e fica até nu diante das lentes de Esmir e da codiretora Thais Guisalosa – um desinibido nu frontal enquanto se seca após o banho – mas a trava emocional continua lá. Ney Matogrosso desnuda o corpo, mas não a alma. Vê-se Ney em casa tomando café da manhã, interagindo no barracão da Imperatriz e na quadra da agremiação – e também obviamente no desfile propriamente dito – e ainda em camarins. Ouve-se nesses cenários o habitual discurso libertário de um artista que sempre se pautou pela ousadia. Se o filme acompanhasse Ney somente nos bastidores do processo de criação do desfile da Imperatriz Leopoldinente, o foco de “Ney por trás das máscaras” teria ficado mais bem definido e original. Contudo, Esmir Filho abriu demais o foco. Ney Matogrosso na Praça da Apoteose, cartão-postal do Carnaval carioca, no take inicial do filme 'Ney por trás das máscaras', de Esmir Filho Divulgação Há muitas cenas de Ney no habitat natural do artista, uma fazenda de 140 hectares, localizada em meio à Mata Atlântica, precisamente em Sampaio Correia, distrito de Saquarema (RJ), na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Lá, com a devida autorização do Ibama, Ney costuma soltar animais silvestres na mata. Vê-se no filme a soltura de uma jiboia. “Ney por trás das máscaras” também mostra o cantor no camarim do estádio paulistano Nubank Parque durante os momentos que precederam a entrada em cena do artista em apresentação grandiosa do show da turnê “Bloco na rua”. A questão é que, nesse quesito, o filme de Esmir perde pontos, pois, em outro documentário, “Olho nu” (2014), lançado há 12 anos, o cineasta Joel Pizzini já fez o espectador enxergar Ney Matogrosso pelas frestas de palcos e matas no limite da liberdade consentida pelo artista. Além de descortinar os bastidores do Carnaval, mostrando o cantor em contato com costureiras das fantasias da Imperatriz Leopoldinense e com demais trabalhadores da escola, agindo sem qualquer traço de afetação ou estrelismo, o documentário “Ney por trás das máscaras” se diferencia por desvendar um pouco a relação do artista com a mãe, Beita de Souza Pereira (1922 – 2026), falecida aos 103 anos, em março deste ano. Tudo pode soar interessante para quem é fã do cantor. Mas, se Ney solta a jiboia na mata, ele mesmo nunca se solta realmente diante das câmeras de Esmir Filho e, com isso, o documentário é que fica travado, sem nunca chegar efetivamente à apoteose. Ney Matogrosso em imagem de entrevista concedida para o documentário 'Ney por trás das máscaras', de Esmir Filho Divulgação